Arquivo | agosto, 2010

Trabalho em equipe

31 ago

Todas as cidades brasileiras deveriam pensar em políticas públicas para o controle de natalidade e o bem-estar animal. Gestores públicos e representantes de ONGs podem – e devem – se unir na busca de soluções para o problema.

Em Piracicaba, no interior de São Paulo, por exemplo, representantes do CCZ local e das ONGs se reuniram no mês de agosto com este objetivo.

Apesar de muitas vezes terem posições contraditórias, é importante que a proteção e os CCZs conheçam os pontos de vista um do outro e busquem formas de colaboração.

Hoje, infelizmente, o que presenciamos em muitos lugares é um clima de inimizade que não leva a nada. Quanto mais pessoas trabalhando em equipe por uma mesma causa, maiores as chances de sucesso.

Clique aqui para conferir mais detalhes sobre a reunião ocorrida em Piracicaba.

Sociedade participativa

31 ago

Nesta entrevista a médica veterinária Adriana Maria Lopes Vieira fala sobre os pilares de um programa eficaz de controle de populações de cães e gatos. Segundo ela, o Poder Público não dá conta de fazer tudo sozinho e a sociedade precisa se envolver na questão. Adriana é formada em medicina veterinária pela FMVZ-USP e é especialista em Saúde Pública e Administração de Serviços de Saúde, além de ter gerenciado os CCZs de São Paulo e de Guarulhos. O depoimento foi concedido para a ONG ARCA Brasil.

Confira:
ARCA Brasil: Quais são as medidas básicas para que um órgão como o CCZ possa controlar a população de cães e gatos e prevenir o abandono, indo além de funções primordiais como a transmissão de doenças ou a prevenção de ataques e acidentes envolvendo animais?

Adriana Lopes Vieira: É importante pensar que um programa de controle de populações tem  vários pilares. É preciso conhecer a população de animais com que se trabalha (por censo ou estimativa populacional). Realizar o registro e a identificação desses animais e criar uma legislação, com a participação da sociedade, que dê suporte para essas ações (política pública). Além disso é preciso trabalhar na educação da população, no manejo ambiental destes animais, na adoção responsável e no controle do comércio. Controlar a reprodução dos cães e gatos é também um dos pilares do programa, mas não deve ser uma ação isolada, que é como eu vejo muitas pessoas pensando nos vários municípios que eu tive contato. Não se pode pensar só em castração.

AB: Você falou em leis que tenham origem na própria sociedade. Como seria a participação da população nesse processo?

ALV: O serviço público, na maioria das vezes, não dá conta de fazer tudo sozinho. Então é importante ter o envolvimento da população. Mas para esse trabalho conjunto, é preciso empoderar essa população, torná-la apta a agir.  Nesse ponto entra o pilar da educação. O conhecimento permite que as pessoas participem desde a definição de políticas públicas até o desenvolvimento das ações.

AB: Qual o papel do registro e da identificação entre todas essas bases?

ALV: Há várias questões importantes relacionadas ao registro e à identificação. Com ele você pode ter noção de como os proprietários se relacionam com os animais. Quando um animal é registrado, seu dono também é registrado. Assim, pode-se ter uma idéia de quem é aquela pessoa, onde mora e se o animal for encontrado desacompanhado, é possível saber se escapou ou foi abandonado.

AB: Estas informações não permitiriam uma maior sistematização do CCZ, com controle sobre os animais castrados e doados, as regiões às quais pertence, etc?

ALV: É importante que exista um banco de dados nas mãos do governo na esfera federal ou pelo menos estadual. Seria o ideal, porque tem animais que circulam de um município pra outro. E com esses dados informatizados seria possível saber de onde veio esse animal e quem é o proprietário. Isso seria uma ferramenta importante, por ex. no controle da Leishmaniose Visceral, caso em que o animal pode levar o agente etiológico para outras cidades.
Porém essa sistematização, apesar de necessária, ainda está no campo das idéias.  Não existe um sistema de informação em que os municípios possam registrar os animais em um banco estadual. Hoje há iniciativas dos próprios municípios de fazer o registro. Muitos fazem com coleira e plaqueta enquanto outros já estão usando o microchip.

AB: O que é melhor, a boa e velha plaqueta de identificação ou o microchip?

ALV: Hoje, o melhor método de identificação é o microchip. Desde que não migre [mude de lugar na pele do animal] e que atenda a legislação, o microchip é muito importante porque com ele você tem certeza de quem é aquele animal, não tem como dizer que é outro. O que pode acontecer em outros sistemas de identificação.

No entanto, é importante ter um meio visual, e aí entra a coleira e a plaqueta. Na rua, à distância, é possível ter idéia de que aquele animal tem algum tipo de registro só de avistá-los. Deve ser um método associado, o que inclusive é a recomendação da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Uma identificação visual e uma permanente.
Hoje, para provar que um animal é abandonado, sem um microchip, é complicado. Com o animal microchipado você tem esses dados comprovados e pode saber quem é o proprietário. E então, com respaldo oficial, porque tem que ter o respaldo da legislação, é possível autuá-lo por abandono.

AB: Pode existir conflito entre a linguagem dos microchips em cada município?

ALV: O estado de São Paulo foi o primeiro a ter um Programa de Controle de Populações de Cães e Gatos. O que falta agora é ter algum controle para saber quem já está fazendo e como está fazendo.  Hoje, se encontrar um animal com um microchip que não foi microchipado por nós [atualmente Adriana é veterinária no CCZ de Guarulhos], posso não conseguir saber de onde ele é.

AB: São Paulo e Guarulhos já utilizam microchips?

ALV: Por enquanto eles usam microchips apenas para os animais que são doados pelo órgão. Em Guarulhos o registro com plaqueta é gratuito e existe a opção de microchipar pagando-se a taxa de R$ 32,80. Em São Paulo o registro com plaqueta custa R$ 4,20. Em ambos os casos para registrar é preciso ir ao órgão acompanhado de RG, CPF, Comprovante de Residência e a Carteira de Vacinação contra raiva mais recente do animal.

AB: Qual seria um cenário ideal, com todos esses pilares funcionando? É um cenário impossível de ser atingido?

ALV: Eu não acredito no impossível. É um trabalho árduo. O estado de São Paulo já tem o Programa de Controle de Populações de Cães e Gatos definido como política pública, o que facilita esse trabalho, pois já existe uma noção do que é necessário implantar. Agora, não sei o quanto cada administração municipal investe nessas ações.

Por isso é importante que a população também se envolva. É a sociedade, consciente da importância desta questão que deve cobrar ações do poder público. Hoje, por exemplo, podem participar dos conselhos gestores e dos conselhos municipais de saúde. Então, não acho que seja impossível, só não sei dizer como vai acontecer em cada município. Nas cidades onde eu trabalho houve avanços significativos.

AB: Você destacaria algum município em especial?

ALV: Além de Guarulhos, eu posso falar sobre São Paulo. São municípios que têm legislação, registro e identificação, adoção, controle de reprodução por cirurgia de método minimamente invasivo e ações educativas. Além disso, Guarulhos tem conselho gestor e São Paulo tem parceria com ONGs e contratos com clínicas para facilitar o acesso da população às cirurgias de castração. Assim como há vários municípios em São Paulo e em outros estados, que já têm algumas ou todas estas iniciativas.

Você é a favor da castração de cães e gatos?

24 ago

Participe da enquete promovida pelo Senado Federal

O controle populacional de cães e gatos continua sendo um dos assuntos mais discutidos ultimamente, e diante disso, a Agência Senado, juntamente com a Secretaria de Pesquisa e Opinião, propôs uma enquete durante o mês de agosto. Para votar, clique aqui. Cerca de 5 mil pessoas já participaram.

Recentemente o Senado aprovou um Projeto de Lei (PLC 04/05) que prevê a criação de uma política nacional para o controle de natalidade de cães e gatos que, na prática, vai proibir a eutanásia de animais sadios. A proposta está sendo analisada atualmente pela Câmara dos Deputados, já que ocorreram mudanças no Senado. Entre elas está a alteração que permite a utilização, também, de outros métodos de controle populacional como, por exemplo, a esterilização química.

Mas e você? É a favor da castração como forma de controle populacional de cães e gatos? Vote e mostre para os senadores o quanto o tema é importante. O problema do abandono só vai diminuir quando políticas de esterilização em massa forem implementadas, além de ações educativas e punitivas, entre outras.

Na escola

24 ago

Muitas pessoas ainda não têm consciência da importância de castrar seu animal, às vezes por falta de informações, ou mesmo por preconceito e machismo.  A maioria não sabe, por exemplo, que uma cadela não esterilizada, em seis anos, pode gerar 67 mil descendentes diretos. Outro problema relacionado com a superpopulação e o abandono é a transmissão de doenças (zoonoses), que aumenta no mesmo ritmo.

Iniciativas como a do CCZ de Maceió (AL), que está trabalhando em um projeto para levar informações sobre controle populacional e bem estar animal para as as escolas da região, deve ser aplaudido e seguido.

Confira a íntegra da reportagem:

CCZ de Maceió (AL) pretende sensibilizar população sobre castração de cães e gatos

A coordenadora do Núcleo do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, promotora Dalva Tenório, solicitou ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Maceió, em AL, um planejamento de trabalho que trata do Projeto Saúde Animal e Processo Saúde na Escola, que deve ser desenvolvido pelo CCZ junto às escolas. O trabalho vai ser iniciado no CEAGB – maior complexo educacional do Estado -, no bairro do Farol, em Maceió, e deve ser entregue ao MPE até dia 30 de agosto.

O Projeto deve conter local, mês e horário, população alvo e a distribuição dos meses que deverão ocorrer até o mês de dezembro. O objetivo, segundo a promotora de Justiça, é sensibilizar a população para castração de cães e gatos, que ainda inclui atendimento clínico para animal de pequeno porte, com vermifugação e vacinas.

Além disso, deve-se realizar oficinas de sensibilização e preservação do meio ambiente focados para o bem-estar animal. “É importante orientar a população, bem como facilitar a ida dos donos de animais ao CCZ para castração dos pequenos animais”, informou Dalva Tenório.

A promotora sugeriu a existência de uma ação mensal e ainda solicitou a inclusão da 13ª Coordenadoria de Ensino do Programa Saúde Animal nas escolas.

A coordenadora do CCZ, Thaysa de Almeida, disse que já existe um núcleo de formação em atividade, voltado para educação ambiental nas escolas. “Vamos dar continuidade a essas atividades no segundo semestre e mandar para o MPE o cronograma de trabalho contendo horário e local de trabalhos a serem realizados”, explicou.

Thaysa de Almeida disse ainda que o CCZ tem condições de realizar atividades ambulatoriais pelo menos uma vez por mês nas escolas públicas.
“Juntamente com essas ações, serão realizados programas de adoção, tendo em vista o grande número de animais no CCZ. O canil de quarentena está sendo providenciado. Inclusive, há um projeto de construção no setor de engenharia do Município, comprometendo-se em enviar informações sobre o projeto e sua viabilidade”, concluiu.

Fonte: Gazeta Web

Custo-benefício

19 ago

Apesar de polêmica, a esterilização química é um método que não pode ser ignorado. Até então, apenas com a castração cirúrgica, o problema da superpopulação de cães está longe de ser resolvido. O ciclo de reprodução dos animais de companhia é muito rápido e somente com a esterilização em massa é que teremos chance. Estudos recentes indicam que para surtir efeitos satisfatórios pelo menos 70% da comunidade canina de determinada região deveria ser castrada. Hoje esse número dificilmente chega a 10%.

Pensando na questão principal do problema, que são os animais das populações carentes e os abandonados (errantes), a esterilização química será positiva, pois muito mais cães poderão ser castrados com o mesmo dinheiro.

Confira reportagem publicada na Agência Senado:

Veterinário defende método químico de castração

Em matéria publicada na última sexta-feira (13), sobre a castração de cães e gatos, a Agência Senado reproduziu críticas da presidente da Sociedade União de Proteção aos Animais (Suipa), Isabel Cristina, e da veterinária Roberta Beeg à esterilização química. Os pontos negativos desse método, segundo elas, incluiriam dor desnecessária e aumento do risco de câncer em fêmeas.

Defensores da castração química, no entanto, rejeitam as críticas e garantem que o método traz vantagens significativas em relação ao procedimento cirúrgico. Um dos benefícios seria o custo menor, em até 70%, o que reduziria os gastos do poder público e permitiria que a população de baixa renda também pudesse recorrer à castração para seus animais de estimação.

De acordo com o veterinário Ricardo Lucas, diretor técnico da única empresa nacional que produz medicamento para esterilização química de cães, o método também evita as complicações do pós-operatório. Ele refutou, ainda, as alegações de que a castração química provocaria câncer, ressaltando que o medicamento utilizado – de uso exclusivo em machos – tem aprovação do Ministério da Agricultura.

A castração é proposta, no Projeto de Lei da Câmara 4/05, como alternativa ao sacrifício de cães e gatos encontrados nas ruas. Originalmente, o projeto em tramitação no Congresso previa somente a realização de castração cirúrgica para o controle populacional desses animais. Emenda apresentada pelo senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) abriu a possibilidade de utilização de outros métodos, não cirúrgicos, para a esterilização. A castração de cães e gatos também é tema da enquete deste mês da Agência Senado.

Tecnologia a favor dos animais

18 ago

O microchip é uma ferramenta muito importante para o controle populacional de cães e gatos e o controle de zoonoses. Alguns exemplos de benefícios que a identificação eletrônica traz é a localização dos donos de animais que se perderam e a identificação e eventual punição de quem pratica o abandono, além de mapear os cães e gatos da região. Porém ainda existem alguns problemas como o alto custo e a falta de leitores. O ideal, do ponto de vista de uma efetiva política de controle populacional e a união de ações: identificação, educação e esterilização.

Confira esta reportagem publica em um jornal do Rio Grande do Sul:

Colocação de microchip em cães e gatos é tecnologia que garante a segurança dos pet e já está disponível na cidade

Desde o mês de julho, a Bicho Bom Clínica Veterinária e Estética está disponibilizando o implante de microchip em cães e gatos, para identificação eletrônica. O cadastramento dos animais e dos proprietários é uma medida considerada essencial para o controle populacional de cães e gatos e para o controle de zoonoses. Mais do que isso, é uma medida para preservar os direitos dos animais e de seus donos e seu bem-estar.

A identificação eletrônica é a forma mais eficaz e segura de cadastrar o proprietário responsável por determinado animal, de forma definitiva, como afirmou a veterinária Cristiane Barcellos Mitri, da Bicho Bom. Um animal, por exemplo, pode ser encontrado em qualquer parte do mundo. Na grande região, essa nova tecnologia é só encontrada também em Passo Fundo e Santa Maria, além de na Bicho Bom.

IDENTIFICAÇÃO

A identificação eletrônica dos animais pode evitar a permanência dos mesmos por longos períodos nas ruas, diminuindo assim os riscos de doenças, acidentes e também os maus tratos. É por isso que, no mundo e no Brasil, a identificação eletrônica tem se tornado obrigatória. “Não deixe para depois, faça a sua parte. Seja um proprietário responsável”, ressaltou Leandro Dorneles dos Santos, administrador da Clínica.

Já descartando algum receio sobre a aplicação do microchip, a veterinária explica que o material é do tamanho de um grão de arroz e é inserido embaixo da pele dos cães e gatos, com duração para toda a vida do animal, sem bateria.

No microchip está um número que guarda todas as informações do animal e do seu dono, tipo um código de barras. Quando é passado o leitor, um aparelho, todas as informações são obtidas na tela do computador. Todos os dados ficam armazenados em um banco de dados mundial chamado BACKHOME.

COMO FUNCIONA ?

O primeiro passo é procurar o médico veterinário ou a clínica para implantar o microchip no animal. Uma vez instalado, o proprietário recebe uma placa de identificação com número, que deverá ser colocada, de preferência, na coleira do seu pet.

Caso o animal perca o rumo de casa, basta a pessoa que encontrá-lo, procurar um médico veterinário mais próximo que tenha o aparelho de identificação. Ao rastreá-lo, o médico terá todas as informações do proprietário em mãos.

Se o veterinário não possuir uma leitora, por meio da plaqueta de identificação, que o animal deverá portar, ele conseguirá entrar em contato com a Central de Atendimento, que indicará a clínica mais próxima que possua uma leitora.

Fonte: A Tribuna, adaptado pela equipe do “Controle Populacional”

A ciência não anda para trás

17 ago

A recente aprovação no Senado Federal do Projeto de Lei 04/2005, que estabelece uma política nacional para o controle de natalidade de animais, é uma das melhores notícias dos últimos anos. Se o texto for ratificado pela Câmara dos Deputados e se transformar efetivamente em Lei, a prática da eutanásia de animais saudáveis será vetada em todo o País e os municípios serão obrigados a implementar programas de esterilização, sabidamente uma das ferramentas mais efetivas para o controle populacional.

Durante a tramitação no Senado uma das principais novidades foi a emenda do senador Sérgio Zambiasi, que ampliou a possibilidade de outros métodos de esterilização, como a química. “Mais cedo ou mais tarde a castração química será uma realidade. A ciência não caminha para trás”, concluiu o parlamentar.

Tomara, os animais e a sociedade agradecem.

Confira mais detalhes:

Aprovado no Senado projeto de lei sobre cães e gatos que vivem nas ruas

Após oito anos tramitando no Congresso, foi aprovado ontem no Senado o projeto de lei que cria a política nacional de controle de natalidade de animais errantes por meio de esterilização, vetando definitivamente a prática da execução de animais saudáveis em centros de zoonoses.

A matéria, de autoria do deputado Affonso Camargo (PSDB/PR), recebeu uma emenda do senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), que amplia as possibilidades de métodos de esterilização de cães e gatos. O projeto retorna agora à Câmara para análise da emenda que recebeu no Senado, simultaneamente nas comissões interessadas. Caso não sofra novas modificações, o PLC 4/2005 seguirá à sanção presidencial para se tornar lei.

Realidade atual no Brasil

Apesar da execução de animais saudáveis ser inconstitucional, a prática em centros de zoonoses é uma realidade, com formas que variam entre injeção letal e câmaras de gás, havendo registros de choque elétrico em locais mais precários.

Fazendo as contas desse método adotado hoje no país, enquanto um animal é capturado pelas carrocinhas e recolhido para execução, dezenas de descendentes daquele mesmo animal continuam a nascer em progressão geométrica, perenizando o ciclo de sofrimento, abandono, fome e maus-tratos. E como a taxa de natalidade é comprovadamente maior que a taxa de eliminação, essa política governamental revela-se, ainda, mais onerosa para os cofres públicos em longo prazo.

Além de um problema humanitário, trata-se de um grave problema sanitário. Não vacinados, podem transmitir zoonoses e, quando morrem, suas carcaças são depositadas em qualquer lugar como aterros, terrenos baldios ou áreas de proteção ambiental, tornando-se focos de diversas doenças e poluentes de lençóis freáticos.

As emendas

O PLC 4/2005 recebeu parecer favorável em todas as comissões em que tramitou, chegando ao plenário, onde recebeu na Mesa a emenda do senador gaúcho Sérgio Zambiasi.

Originalmente, a matéria previa apenas a possibilidade cirúrgica de esterilização. Zambiasi justificou que, na época da iniciativa da proposta, a ciência não havia sinalizado novas possibilidades. O senador se baseou na lei que já vigora em seu estado. “Nossa lei não encerra outras formas de esterilização. É o correto. Sabemos que as universidades estão avançando rapidamente na possibilidade química de castração de machos, por exemplo. Não podemos ignorar o que já se sabe e estreitar dessa forma uma lei. Mais cedo ou mais tarde a castração química será uma realidade. A ciência não caminha para trás”, concluiu.

E seguiu com a seguinte redação: “O controle de natalidade de cães e gatos em todo o território nacional será regido de acordo com o estabelecido nesta Lei, mediante a esterilização permanente”, excluindo do texto a palavra cirúrgica, o que causou apreensão entre pessoas da área que não estavam seguras a respeito do método químico. Para sanar o problema, a emenda recebeu uma subemenda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – um acréscimo ao texto que garantisse o bem-estar do animal: “esterilização permanente, cirúrgica ou não, desde que ofereça o mesmo grau de eficiência, segurança e bem-estar ao animal”.

Tudo isso deverá ser trabalhado na regulamentação da lei, que ocorre nos 180 dias após a sanção presidencial, assim como toda a estrutura e a fiscalização necessária para este fim. Outras importantes medidas de controle também fazem parte do texto do PL, como a educação em guarda responsável, programas de adoção, o registro e a identificação de animais com microchip.

Fonte: WSPA

Interesse Público

13 ago

Diversos debates estão se formando sobre o Projeto de Lei 4/05 que prevê uma política de controle de natalidade de cães e gatos. O objetivo é evitar que as prefeituras continuem cometendo a eutanásia de animais e estimular a posse responsável, além de obrigar a implantação de campanhas de esterilização.

É muito importante que uma lei como está seja aprovada e entre em vigor rapidamente. Porém, interesses particulares, não devem prevalecer. Segundo o gerente de controle de zoonoses de Brasília, Rodrigo Menna Barreto Rodrigues, um ponto polêmico do projeto é a perda que as clínicas veterinárias terão com as castrações sendo feitas pelo governo, já que a demanda por este tipo de serviço deve diminuir.

A castração deve ser tratada como assunto de interesse público. Óbvio que médicos veterinários devem ser remunerados – e bem – pelos seus serviços. Mas quanto mais animais esterilizados, menos crias indesejadas e menos abandono e sofrimento. E isto é mais importante.

Rodrigues também cita a dificuldade para a lei ser colocada em prática, já que o custo para equipar os CCZs com centros cirúrgicos adequados será alto. Neste cenário a esterilização química ganha força e se mostra uma boa alternativa, já que custa cerca de 70% menos do que a cirúrgica e pode ser feita em ambiente ambulatorial (na rua, por exemplo)

Matéria original: http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=103908&codAplicativo=2

Delegacia especializada

12 ago

Outros municípios brasileiros poderiam seguir o exemplo de Campinas (SP) e criar delegacias especializadas em proteção animal. Essas iniciativas têm o objetivo de centralizar o atendimento das denúncias, dessa forma aumentando as chances de punição.

É necessário um local específico porque todos sabemos que as delegacias comuns são superlotadas e os casos envolvendo animais terão prioridade zero. Infelizmente ainda precisamos disso, mas chegará o dia em que os homens vão respeitar os animais.

O Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA) de Campinas reivindicou e o deputado estadual Jonas Donizette (PSB), vice-líder de governo na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), conseguiu trazer para a cidade uma Delegacia de Proteção Animal, assim como de defesa do meio ambiente. Trata-se de uma unidade inédita no Estado de São Paulo.

O objetivo ao criar a unidade é tratar com mais atenção e eficiência às questões de agressões e maus-tratos a animais, assim como engajar a Polícia Civil na defesa do meio ambiente no Estado de São Paulo.

A unidade funciona no 4º DP, localizado no Taquaral. Lá ficam concentrados os boletins de ocorrência sobre a questão dos maus-tratos a animais na cidade. As pessoas também poderão registrar em outros distritos, mas os BOs serão encaminhados para a unidade.

O deputado estadual Jonas Donizette destacou: “muitas vezes quando a gente vai fazer alguma coisa para a causa animal, sempre existe aquela comparação: ´se não tem nem para as pessoas, por que vão fazer para os animais?´ Eu digo o seguinte: violência é violência. Uma pessoa que tem capacidade de maltratar um animal. Não podemos imaginar as outras coisas que ela pode ter capacidade de fazer”.

Posse Responsável se aprende na escola

11 ago

A posse responsável é uma ferramenta fundamental para ajudar no combate à superpopulação de cães e gatos. Existem muitas ações que podem ser desenvolvidas como distribuição de folhetos, criação de blogs, reportagens na TV… Um exemplo bacana e que deveria ser seguido é o de Guarulhos (SP), que criou o programa educativo “Cão e Gato”, voltado para alunos das escolas públicas.

A atenção destinada às crianças é muito importante. Com debates, os alunos conseguem participar expondo suas opiniões e experiências. As crianças tem um papel importante no abandono, pois muitas adotam, cuidam nos primeiros dias e depois deixam o animal de lado.

Não podemos esquecer que as crianças de hoje são os adultos de amanhã.

Confira a matéria:

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Guarulhos realiza várias ações para conscientizar a população sobre a importância da posse responsável e estimula a adoção de animais. Esse tipo de medida pode diminuir o número de cães e gatos abandonados nas ruas de Guarulhos, a segunda cidade mais populosa de São Paulo, atrás apenas da Capital, com uma população de 1,3 milhão de habitantes.

Uma das ações é o programa educativo “Cão e Gato”, que foi incluído no currículo escolar para levar o debate às crianças da rede pública de ensino estadual e municipal. Outra medida que tem sido bem recebida pela comunidade é o programa de castrações gratuitas que, hoje, já atende animais de 60 bairros da cidade.

Além de estimular a posse responsável de animais, o CCZ de Guarulhos promove outras iniciativas, como a Feira de Adoção de Cães e Gatos, realizada tradicionalmente no terceiro domingo de cada mês, na sede do órgão.

A fim de facilitar o acesso das pessoas até o CCZ, a Prefeitura oferece transporte gratuito. Quem tem interesse em adotar um animal, pode procurar o CCZ de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Para levar um bichinho de estimação para casa, basta ser maior de 18 anos, apresentar documento de identidade, CPF e comprovante de residência. Os animais da Feira de Adoção são todos vacinados, castrados e medicados contra vermes. Os cães e gatos também recebem um chip eletrônico subcutâneo, que pode identificar o dono caso o animal seja capturado novamente perambulando pelas ruas.

Mais informações sobre as campanhas de adoção, castração e de posse responsável, o telefone de contato é o (11) 2436.3666.

Fonte: Papo de Pet